segunda-feira, 30 de junho de 2008

Sim, Sim GG. Embora não seja essa a questão, você ganhou.

Não seria poeta nem fazendo muita força. Ou seria essa minha incapacidade sensível pura poesia moderna?

Você tem despretensiosa razão.

Minha cabeça ferve. Meu coração dorme. Meus sentidos não sentem. Me sinto Alice. Cansei. Ui!

domingo, 22 de junho de 2008

Nada melhor

Nada melhor que os Amigos!



Adri, Bibi, Paulinha (Flying Head), Nega.






Dani - Ruivão e Adri (Garota-placa)

Como é mesmo aquele trecho do poema do Alan?

Bem...., é aquilo mesmo.

Há pessoas que simplesmente tornam o ar mais respirável.

Obrigada.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Pois é. Essa é minha vida.


É incrível como podemos aprender mais de nós mesmo através dos outros. Talvez relacionamentos sejam também grandes “issos”, nos fazendo trocar de pele, avançar estágio, mudar de tela.

























A questão é que às vezes essas coisas cansam. Às vezes bom mesmo é ficar lendo Poemas do Alan e da Ana, dando vazão à sua sentimentalidade reprimida. Às vezes bom mesmo é dizer SIM. Deixar que o mundo se acabe em barranco. Às vezes me canso de explicar.


Sim, sou do tipo chato que explica tudo. Sinto minha cabeça como uma grande enciclopédia e acabo escrevendo cada vez mais parecido com o GG, do Dragão (aliás, GG querido, to cortando um dobrado pra entender a imagem do casal argentino de hoje, caso queira ajudar aqui minhas sinapses, agradeço!). E ninguém entende nada.


Isso que dá deixar meu Tyler de mini-saia fazer revolução na cozinha do meu coração. Quando olho no espelho vejo ele lá, rindo pra mim, fazendo do cinismo sua maquiagem, seu cabelo, sua roupa, como ouvi dizer essa semana.



E assim fica ele todo vestido e eu aqui, pelada na chuva. O coração de fora, as feridas sangrando. Sem nem uma tanguinha. Leoninos têm mesmo dificuldade com meio-termos.


Mas eu sou apaixonada por ele. Ou seria pelo real?
HAHAHA!


É forma violenta através da qual ele tenta me desautomatizar. Colocando uma arma na própria boca estourando seus miolos cínicos pela parede para que no fim sobre apenas eu. E quanto de mim é realmente amado? Saberei talvez o dia em que finalmente eu apertar o gatilho.


Porque só a Marla salva! Ah....! Hollywood......!



quinta-feira, 19 de junho de 2008

This is YOUR LIFE.

And it doesn't get any better than this.



This is your life

And you open the door and you step inside
Where inside our hearts
Now imagine your pain as a white ball of healing light
That's right, your pain
The pain itself is a white ball of healing light

I don't think so


This is your life, good to the last drop
Doesn't get any better than this
This is your life and it's ending one minute at a time

This isn't a seminar, this isn't a weekend retreat
Where you are now you can't even imagine what the bottom will be like
Only after disaster can we be resurrected

It's only after you've lost everything that you're free to do anything

Nothing is static, everything is evolving, everything is falling apart
This is your life, this is your life, this is your life, this is your life
Doesn't get any better than this
This is your life, this is your life, this is your life, this is your life
And it and it's ending one-minute at a time

You are not a beautiful and unique snowflake
You are the same decaying organic matter as everything else
We are all part of the same compost heap

We are the all singing, all dancing, crap of the world

You are not your bank account
You are not the clothes you wear
You are not the contents of your wallet
You are not your bowel cancer
You are not your grande latte
You are not the car you drive
You are not your fucking khaki's

You have to give up, you have to give up
You have to realize that someday you will die
Until you know that, you are useless

I say let me never be complete
I say may I never be content
I say deliver me from Swedish furniture
I say deliver me from clever arts
I say deliver me from clear skin and perfect teeth
I say you have to give up
I say evolve, and let the chips fall where they may

This is your life, this is your life, this is your life, this is your life
Doesn't get any better than this
This is your life, this is your life, this is your life, this is your life
And it and it's ending one-minute at a time

You have to give up, you have to give up

I want you to hit me as hard as you can
I want you to hit me as hard as you can

Welcome to Fight Club
If this is your first night, you have to fight.


The Dust Brothers featuring Tyler Durden
Da trilha do filme
Fight Club

domingo, 15 de junho de 2008

Back to the old times.

Depois de meu ataque de fofura e sensibilidade, resolvi passar um tempo com o "diabinho da garrafa" que vive em mim. A gente sempre se entende. Ele me explica muitas coisas sobre o lado afro-descendente da força e me dá uma leitura cultural do Darth Vader.

Pois é. Ser fofa é legal. Eu também tenho meus momentos.

E eles passam.



Symphathy for my Devil.

"Daqui em diante, sereis conhecido como Darth... Vader"

Eu era realmente uma dessas pessoas que, como Hitler, simplesmente inventaria uma boa desculpa para eliminar da face da terra todo mundo que me irrita. Eu acho que seria capaz de matar alguém e não me arrepender de nada além de ter feito algo que me levaria à cadeia. Eu não sou diferente da Suzanne Richtoffen.

Eu só não ia gostar da cadeira porque a cadeia é suja.

Deve feder tanto quanto fede banheiro depois que gente bem alimentada sai de lá.

Assim são as regras da boa educação. Todo mundo caga, mas falar disso não é nada natural.

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É isso o que dá, quando você passa tanto tempo tentando ser uma pessoa melhor. No intuito de mudar completamente você se convence de umas coisas, passa a acreditar em outras. Vira uma pessoa fofa. Sorri para o próximo. Ajuda os judeus.

E na primeira TPM, sem ajuda de hormônios que custam caro, o Hitler de dentro e você volta com tudo, mais certo ainda de que você é o único ariano púrpura da face da terra e lá se vão os pobres e inocentes judeus pras valas comuns.

E você se convence de que sua mãe está certa: você não presta.

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O mundo no qual eu vivo gosta de gente fofa, mas só os Hitlers tem sucesso. Jack Welch tocou o terror na GE e é um dos mais celebrados executivos da face da terra. Deve ter gente fazendo terapia até hoje por causa dele desgraçado.

O fracasso é imperdoável. Assim, você vê a ética protestante dos seus amigos justificando o carro novo, a namorada burra,o apartamento financiado e o extermínio dos judeus. Depois você vê os judeus exterminando os palestinos, crescendo a indústria bélica, ajudando a economia mundial que sustenta teu próximo, funcionário da fábrica. Você percebe que o Hitler de dentro deles é muito melhor que o original. Afinal, a prática leva à perfeição! Você fica muito confuso.

Aí pensa melhor: A sua mãe é que não presta.

Acho que ela leu Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes. Eu odeio Stephen Covey.

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sexta-feira, 13 de junho de 2008

Vírus ALANA ::: A Epidemia

Sim, sim!

Estou infectada, vou pro CTI.

Minha doença? O mais novo Vírus ALANA. Uma espécie rara oriunda de um cruzamento improvável entre uma variante Guatemalteca ALAN e a Germano-Brasileira ANA.

Sim. É um vírus. Eu quero transmiti-lo a você.

El Livro de Alan, volume ii
www.librodealan.wordpress.com

Parte i


Parte ii


Há registros de, pelo menos, outros dois doentes: os Señores Maurício Schuartz e Rafael Daud.


e nada disso tem de milagre. isso é a própria vida.
por AnaR.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Revólver ::: Coffee, TV e o mostro debaixo da cama.

Sim, sim. Essa quinta-feira é Valantines', ou Dia dos Namorados. Logo antes do dia de Santo Antônio, padroeiro da minha cidade.

Sim. Será feriado. Os amantes das bandas de aqui poderão esticar a noite num gostoso amanhecer sem hora pra acordar. Até os comerciantes poderão parar ara gastar os ganhos com a data gorda seus amantes institucionalizados e de aluguel.

Sim. É uma época que faz pessoas como eu pensarem muito na vida. Pessoas que, por tantos e vários motivos, socam sua sensibilidade embaixo da cama por tanto tempo. Pessoas orgulhosas de uma insensibilidade que sofre silenciosa com a solidão dos domingos à tarde, numa dantescamete falsa pretensão de ser racional.

E numa época assim, quando toda a poeira debaixo da cama ataca você, e revoltosa assume o comando, um extremo sentimento de fragilidade e paralização toma conta; você percebe que é humano, e por mais que tente negar, sente que o distanciamento acadêmico não é mais que uma teoria. Você desiste. Você só quer um abraço.

Nessa hora seus amigos te mandam pro psiquiatra, mas você começa a entender que está renascendo. Você se sente ofuscado por luzes brilhantes que seus olhos cegos nunca viram, e em rompantes de despespero até chegam a desejar jamais ver. E, de repente, há tanta beleza. Sua razão pára de lutar. É tanta beleza... que o cruel começa a te revirar o estômago. Que o terremoto na China te deixa, verdadeiramente, triste. Que um poema, finalmente, te emociana e você sente.

E você fica feliz com a felicidade dos outros; pura e simplesmente porque ela existe. E nessas horas tudo o que você quer é agradecer.

Alan: Gracias a ti.

Do Revólver de Alan Mills , al sonido de Blur, Coffee and TV - canção que há tantos anos me acompanha, sempre sem deixar com que eu consiga escrever mais após a vírgula.



1.
hemos bebido juntos tantas veces
cada gota de lluvia se refleja por dentro
de nuestros tarros
y las burbujas en la cervezas
on flores amarillas
que nos recuerdan que algo
demasiado vivo
va a matarnos un día

2.
hay historias de la gente que queremos
que bien podrían sumirnos en la hoguera:

un día vamos a ser un único ardor luminoso

3.
cuánto tiempo seguirá esta sombra
perdiéndosemis ojos le capturan algo
pero lo olvido en tres segundos

4.
bailamos sentados como idiotas
perfectos voladores nocturnos
y tristes y llenos de nostalgia
como unos viejos muy tontos

5.
también somos felices
supimos perder lo que debíamos
como una botella que por fuera devuelve
la luz de una manera muy distinta
a la forma en que esa misma luz se entrega
a nuestra sangre
y ese tránsito nos hace felices
bailamos sentadosparecemos bellos idiotas
tarareando canciones extranjeras

6.
es viernes
estás solo
bebes café
miras televisión
revisas tus correos
una y otra vez
en CNN ves un documental:
si pasas más de 4 horas
conectado
eres un adicto
sí
lo que necesitabas:
una razón nueva
para entregartea las llamas

7.
en otra ciudad
alguien está pegando tus versos
al asfalto
es una fe desgraciada en las cosas
del mundo
porque los tractores
y las nuevas construcciones
los irán borrando
así funciona todo esto
y entonces empiezas a sentir que lo importante
no eran esos versos
sino la forma arqueada de su espalda
esa mujer que los entrega al asfalto
dibuja una silueta de color en los edificios
aunque no la mires

http://www.librodealan.wordpress.com/

Video: "Coffee and Tv", de Blur

Sem mais,

domingo, 8 de junho de 2008

Carta Argumentativa - Modelos e Proposta

Caros Alunos,


Conforme conversamos na última sexta feira (06/06), vamos trabalhar a produção de Cartas Argumentativas. Como parte do nosso exercício gostaria que vocês lessem a Proposta de Redação Unicamp 2006 vocês encontram clicando no link abaixo (arquivo em PDF):





  • Modelo de Redação Acima da Média


  • Modelo de Redação Abaixo da Média


  • Modelo de Redação Anulada

Agora é sua vez de produzir uma Carta Argumentativa! Clique aqui e acesse a Proposta de Redação Unicamp 2005, a partir da qual você deve elaborar sua Carta seguindo as instruções do documento.


Nas próximas aulas falaremos mais sobre a Carta, mas é importante que você leia as propostas, uma vez que elas servirão como base para nossas discussões em sala de aula.


Até breve!


Emanuelle.











segunda-feira, 2 de junho de 2008

Porque menos é mais.

Conversando com meu antigo amigo da escola que, atualmente, mora em Taubaté:

Éder diz:
sabe quem eu encontrei no domingo depois da missa??
Emanuelle diz:
quem?
Éder diz:
uma morena Show de bola....muito bonita e simpática
Éder diz:
estudou com a gente e hoje é reporter!!! apresenta um jornal e tudo!!!

E, de repente, eu me lembrei que há tantas outras rotinas possíveis..... A missa como evento que marca o tempo do domingo.... pessoas que TEM cinco minutos e que, com isso, tem tanto mais.

Domingo depois da missa..... e tem tanto ar puro que eu ainda não respirei! Que bom!

Alguma coisa está fora da ORDEM?!

Fora da nova ordem mundial... Rende uns minutinhos de reflexão, não?




Vapor barato, um mero serviçal do narcotráfico

Foi encontrado na ruína de uma escola em construção

Aqui tudo parece que é ainda construção e já é ruína

Tudo é menino e menina no olho da rua

O asfalto, a ponte o viaduto ganindo pra lua

Nada continua

E o cano da pistola que as crianças mordem

Reflete todas as cores da paisagem da cidade que é muito
Mais bonita e
Muito mais intensa do que no cartão postal

Alguma coisa está fora da ordem
Fora da nova ordem mundial...


Escuras coxas duras tuas duas de acrobata mulata

Tua batata da perna moderna, a trupe intrépida em que fluis

Te encontro em Sampa de onde mal se vê quem sobe ou desce a rampa

Alguma coisa em nossa transa é quase luz forte demais
Parece pôr tudo à prova, parece fogo, parece, parece paz
Parece paz

Pletora de alegria, um show de Jorge Benjor dentro de nós
É muito, é muito, é total

Alguma coisa está fora da ordem
Fora da nova ordem mundial...


Meu canto esconde-se como um bando de Ianomâmis na floresta
Na minha testa caem, vêm colocar-se plumas de um velho cocar

Estou de pé em cima do monte de imundo lixo baiano
Cuspo chicletes do ódio no esgoto exposto do Leblon
Mas retribuo a piscadela do garoto de frete do Trianon

Eu sei o que é bom

Eu não espero pelo dia em que todos os homens concordem
Apenas sei de diversas harmonias possíveis sem juízo final

Alguma coisa está fora da ordem
Fora da nova ordem mundial...

domingo, 1 de junho de 2008

O Haiti é Aqui

Haiti - Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Quantas vezes será que enxergamos nossa própria hipocrisia ao olharmos no espelho?




Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado (http://www.fundacaojorgeamado.com.br/capa.htm)


Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)


Como é que pretos, pobres e mulatos

E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados

E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque, um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária


Em dia de parada

E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula



Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon


Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for ver a festa do pelô, e se você não for

Pense no Haiti, reze pelo...
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui


E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino de primeiro grau

E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal


E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon

E ao ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina


111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres


E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos

E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba

Pense no Haiti, reze pelo
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui



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"E a grandeza épica de um povo em formação/Nos atrai, nos deslumbra e estimula"
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Tudo com Tudo


Filha...............

...............................Garota,

Crítica............

.......................Independente,

Forte.....................

...........................Frágil,


Mulher.




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Suficientemente demais.
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Massa amorfa de sentimentos desencontrados.
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Nada demais.
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segunda-feira, 12 de maio de 2008

Muito prazer, sou o mostro do armário!



"me joga da janela, me chama de Isabella". Sim, sim. Ouvi isso essa semana de um amigo que leu na internet, em algum lugar.

Hoje eu assisti televisão, e no das das mães só deu Caso Isabella na telinha. Fiquei pensando enquanto tomava banho. Me lembrei dos trechos do documento que decreta a prisão do casal Nardoni e embora não consiga citar exatamento os trechos, ficou na minha cabeça a parte na qual se lê alguma coisa como o casal demostra frieza ou falta de compaixão.... algo do tipo.

Pensei muito e me lembrei das bruxas que queimávamos durante a inquisição.

Há provas contra o casal, processo, cadeia, tudo certinho. Mas tenho pra mim que devam ser presos e condenados por tirar a vida de um outro ser humano e tenho a sensação de que a opinião pública o condena por um crime contra a família.

Isso me lembra a inquisição. Não era só o caso da perturbação da ordem pública, era um crime contra Deus.

Isso também me lembra a Suzane von Richhofen. Mais do que participar do planejamento e do assassinato de duas pessoas, foi condenada por ter matado os pais e dado pauladas na instituição familiar.

Não questiono a importancia das instituições na manutenção da nossa sociedade tal como ela existe. Com isso também não a apoio, só não quero fazer disso caso de questão. O que me cutuca aqui é nossa sociedade se assustar tanto com isso e fazer alarde de pecado capital inemaginável.

O que nós queremos de meninos e meninas que crescem tendo o assassinato como uma opção? O cinema, através de nossa amiga e principal educadora do século XXI, a TV, nos mostra todo dia que se mata, que se atira que se foge. Nós, filhos dos anos 80, crescemos com essas possibilidades em nosso imaginário coletivo composto por Duro de Matar, Máquina Mortífera, Exterminador do Futuro. Crescemos vendo aqueles carros maravilhosos correndo irresponsavelmente no trânsito e educamos nossa sensibilidade para aquela sensação de poder que se tem quando se admite a possibilidade de decisão quanto ao término de uma vida ou não.

Conhecemos armas e apendemos como usá-las. Sabemos como funcionam algumas bases legais a fim de salvar nossa pele caso necessário. Crescemos aprendendo isso, jogamos Street Fighter, Mortal Kombat, Doom e Counter Strker. Damos Head Shot
e nos divertimos quando sacamos a faquinha para humilhar nossos oponentes ao esfaqueá-los até a morte.

Nesse meio tempo os pais também trabalham demais para estar alí, ao lado. As mães trabalham, o video-game e o computador ficam nossos amigos. Nossos pais passam, cada vez mais, a ser alguém que você, talvez, vá ver menos do que à sua empregada e as doces lembranças junto deles herdadas da infância são tempoariamente substituída pelos hormônios, tesão e necessidades de carinho sexual, cada vez mais cedo na vida desses adolescentes.

Num quadro social desses as pessoas ainda se chocam com um filho de advogado, estudante de direito, que usa o que aprendeu (e aprendeu mal) para limpar a cagada de ter perdido o controle com a filha. A linha entre certo e errado pode ser muito tênue quando se acredita ter as costas quentes.

A questão que coloco aqui é: não temos culpa do lixo que a nossa própria sociedade produz? Por que a surpresa?! Bem vindos sejamos nós à era na qual as bitucas de cigarro, garrafas pet e o lixo que produzimos voltam pra nós. Tais como Suzane e Alexandre, às vezes, essas coisas saem debaixo dos tapetes diretamente para nossa sala de estar, para nosso quarto, para debaixo de nossa cama e para cima da nossa mesa de jantar.

Tal como a bosta que jogamos nos rios todo dia, a morte da Isabella me lembra nossas enchentes e a opinião pública, àqueles desgraçados que jogam papel no chão. Complacentes filhos da hipocrisia paralisante que somos, esta, por vezes, nos assassina.

domingo, 4 de maio de 2008

There There

Estou deprimida. Estou ouvindo Radiohead.

Duas orações que, juntas, são absolutamente óbvias. Mereceriam uma conjunção coordenativa conclusiva com vinho e remédios pra dormir. Aí só me faltaria mesmo a câmera e um horário depois da novela.

Outro dia (outro domingo) ouvi que a Globo usou Radiohead – esse mesmo que eu to ouvindo, A Hail to the Thief – como trilha sonora de uma reportagem do Fantástico. Essa a mesma Backdrifts. Uma batida descontextualizada? Não. Recontextualizada. Eu é que tava fora de contexto ouvindo o que passava no Fantástico.

Deve ser essa friaca do inferno. Deve ser minha oscilação hormonal.

Duas orações que, juntas, são absolutamente óbvias. Mereciam uma conjunção coordenativa aditiva sem nenhum drama ou espaço no horário nobre.

As reais misérias da vida humana não interessam à ninguém. Não são inéditas, não dão IBOPE.

A maior parte dos Blogs que conheço ultimamente não falam mais de seus autores do que uma máscara social institucionalizada. Os blogs agora são meios de comunicações institucionalizados? Conheço meia dúzia de pessoas que iriam me perguntar se eu realmente sei o que estou dizendo com institucionalizada. Vomitaria nelas.

Essa semana o Adorno me disse que só mesmo aquilo que foge aos olhos tem o que dizer num mundo no qual as práticas sociais estão tão cheias de sistema, que a pura descrição da realidade só leva a mais sistema. Ele me disse que, nesse mundo do cão, apenas a dolorosa torção do eu, expressada na arte [nesse caso, do meu amigo romance], pode levar algém a algum lugar além do establishment.
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“[...] a abolição da distância é um mandamento da própria forma, um dos meios mais eficazes para atravessar o contexto do primeiro plano e expressar o que lhe é subjacentente, a negatividade do positivo. [...] O sujeito literário, quando se declara livre das convenções da representação do objeto, reconhece ao mesmo tempo a própria impotência, a supremacia do mundo e das coisas, que reaparece em meio ao monólogo”.

Theodor Adorno em Posição do Narrador no Romance Contemporâneo
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Nesse exato momento sinto dor. Amanhã não mais, tenho que trabalhar.

Ao som de Radiohead. There there.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

2 + 2 = 5

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"Freedom is to have freedom to say that two plus two equals four."
1984, George Orwell


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Amsterdam



Porque é comum ser diferente.

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:::

::.

Todo dia.

Give me something to belive in

:::Volto agora pra minha vida e trago pro Mocó lembraças das minhas andanças pelo mundo do meu eu e do nosso seu. Cara nova e alma suja. Queimada do sol das provas de vida. Casquinha e quelóide antes de machucar again and again:::


A-CRE-DI-TAR

Dever do ontem e pecado de hoje. Mantenho-me na segurança minha visão distancida e reservosa, mas não menos elogiosa à virtude da crença.

É fácil acreditar pros outros. À isso chamamos defender uma opinião.
No mundo de hoje em dia todo mundo tem uma opinião, que nada tem a ver com fé.

Fé! Ah, a fé!
A Fé que move montanhas.

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Não, essa não. Eu quero a fé que move pessoas.
Quero a fé que não é pregada.
Quero a fé da certeza interna de que se está no caminho certo.
Quero a fé que é exemplo.
Quero a fé que munda o mundo.
Quero a fé que me ensina a acreditar.
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Para Cláudia e Marco Antonio
pela coragem da fé.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Filmes de guerra. Canções de Amor.

Opa, opa, opa!

Engraçado como às vezes parece que toda a vida da gente contribui para sermos o que somos.
Sei que isso tá meio que parecido com auto-ajuda, mas o interessante da auto ajuda não é a obviedade do que estar escrito, mas dizer aquela obviedade toda em voz alta.

Falar em voz alta faz com que admitamos pra nós mesmos.....

E nessa de Manu-Rêtro achei ontem um CD acústico antigo do Engenheiros do Hawaii, e lá estava eu cantando no transito vespertino da Marginal Pinheiros enquanto satisfazia minha vontade de consumo olhando cada detalhe daqueles tanto carros maravilhosos desfilando a 20km/h, arrastando aqueles traseiros sedans na minha frente...... quase me hipnotizado..... (e eu quase batendo mue "calhambeque bi-bi" numa daquelas bundas psicodélicas só pra curtir um pouco mais algum detalhe na luz de freio dos caras).

Onde eu estava mesmo... Ah! Bem, lá estava eu e de redepente, não mais que de-repente estava cantando uma canção muito familiar pra mim.... de quando eu tinha doze anos e não sabia nada da vida. Foi então que eu descobri como ela era interessante.....


MUROS E GRADES
gessinger / licks

nas grandes cidades, no pequeno dia-a-dia
o medo nos leva tudo, sobretudo a fantasia
então erguemos muros que nos dão a garantia
de que morreremos cheios de uma vida tão vazia

nas grandes cidades de um país tão violento
os muros e as grades nos protegem de quase tudo
mas o quase tudo quase sempre é quase nada
e nada nos protege de uma vida sem sentido

um dia super
uma noite super
uma vida superficial
entre cobras
entre as sobras
da nossa escassez

um dia super
uma noite super
uma vida superficial
entre sombras
entre escombros
da nossa solidez

nas grandes cidades de um país tão surreal
os muros e as grades nos protegem de nosso próprio mal
levamos uma vida que não nos leva a nada
levamos muito tempo pra descobrir
que não é por aí... não é por nada não não,
não, não pode ser... é claro que não é ?
SERÁ?

meninos de rua, delírios de ruína
violência nua e crua, verdade clandestina
delírios de ruína, delitos & delícias
a violência travestida faz seu trottoir
em armas de brinquedo, medo de brincar
em anúncios luminosos, lâminas de barbear

um dia super
uma noite super
uma vida superficial
entre cobras
entre as sobras
da nossa escassez

uma voz sublime
uma palavra sublime
um discurso subliminar
entre sombras
entre escombros
da nossa solidez

viver assim é um absurdo (como outro qualquer)
como tentar o suicídio (ou amar uma mulher)
viver assim é um absurdo...

Eu tinha 12 anos naquela época, época na qual sem saber o já sabia o que havia de errado comigo e com o mundo à minha volta. Nunca havia prestado atenção na letra dessa canção, nunca havia dado crédito ao Guessinger e sua trupe O Papa é POP. Estava errada. Há muito mais verdade no obvio, que tal como auto ajuda, às vezes precisa ser dito bem alto pra ver se alguém, algum dia quem sabe, ouve.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Pra rima com os "Profunfis", Kubric.

Further analysis available soon....

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Di profunfis

Acho que de redondo que era o mundo passou a ser plano novamente.

A idéia de redondo que tenho me lembra muito do que me fascina do poema do Hughes, Merry- go-round.


Redondo não tem em cima nem embaixo.
Redondo é redondo e pronto.
No redondo todo mundo tem vez porque não tem vez nenhuma.

Mas a terra tá quadrada novamente. Esqueceram de colocar nos livros da escola, mas o mundo é plano. Ou pelo menos na minha cabeça o mundo é plano, não porque tenho cabecinha chata não, mas porque diferente do redondo onde parece que o importante é o dentro vs o fora, nesse plano a questão parece mais ser a superfície. A área.

Mas nunca fui boa em geometria não. Vi esse negócio voando de passagem na oitava série, quando dei adeuzinho. Tchau e benção! Agora vejo essa coisa da área voltar e o tio Jameson me contou nessas férias que isso se chama pós-modernidade e eu gostei muito do que ele me contou.

Entendi minha agonia do mundo de agora. Minha nostalgia de uma profundidade perdida na ânsia da sociedade em que vivo querendo mais. Pensando sempre no noticiário que me dá mais notícias, não importando que o bonitão da televisão apenas leia a manchete. Como exemplar filha da sociedade em que vivo eu quero mais, eu quero Pepsi mesmo tomando Coca-Cola, right here, right now com Martini Bianco aqui, à qualqer hora. Eu quero muitos colegas pra me entreter e nenhum amigo pra me ouvir. Quero muitos amantes pra comer e nenhum para amar.

Ouvir e amar demandam tempo. Tempo é dinheiro. Logo ouvir e amar são muito caros e acabo tendo que trabalhar mais, ficando sem tempo de novo.

Na sociedade do minuto é chique saber de tudo um pouco. DDA não é mais um problema, mas a solução da vida moderna! Eu quero mais é suruba porque aproveito o maior número de corpos ao mesmo tempo! Ueba!.

No mundo em que eu vivo as experiências tem valor e tem que ser consumidas logo, mas bem de levinho, sem exagerar muito, pôr só a cabecinha. Ejaculação precoce. Uma sociedade estéril.

Por isso talvez que tenham me dado um relógio de Natal. Deve gostar de mim quem me deu. Com relógio administro melhor meu tempo. Tempo é dinheiro. E com muito dinheiro consigo tempo pra gastar com coisas demoradas como ouvir e amar.
Tô com sono e tá vindo um cheiro de gás da casa da vizinha. Melhor pôr uma calcinha e uma camisolinha melhorzinha..